24 de out de 2009

O que acontece à Igreja quando os Pastores deixam de pregar contra o pecado

Você provavelmente está familiarizado com a história do rei Davi e o adultério que houve com Bate-Seba. O incidente resultou na gravidez de Bate-Seba. E assim que descobriu a situação, ela envia uma nota a Davi dizendo, "Espero uma criança". Quando Davi lê a nota, entra em pânico. Sua reputação como homem piedoso, justo - estava em risco.

Cá estava um homem que havia escrito mais de 3.000 Salmos e cânticos espirituais. Havia sido o instrumento de Deus para matar os inimigos de Israel. E tinha ilustrado para o mundo o que significava ter um grande coração para Deus. Mas agora, em pânico, Davi pensa não só na própria reputação, mas na reputação do Senhor. Se o seu pecado fosse mostrado, isso seria vinculado ao nome de Deus. Imagens de um escândalo enorme inundaram sua mente. Então Davi concebe um plano para esconder seu caso com Bate-Seba. E o pôs em ação enviando uma mensagem a Joabe, general do seu exército. A mensagem dizia, "Manda-me Urias, o heteu" (2 Samuel 11:6). Ora, Urias era o marido de Bate-Seba, e pertencia à Infantaria do exército de Israel. É evidente que Urias era parte de um grupo de elite de soldados, pois as escrituras o citam como um dos trinta e sete homens mais fortes de Davi (v. 23:39). Quando recebeu a mensagem de Davi, Joabe deve ter começado a suspeitar de algo. Ele conhecia o coração de Davi, inclusive suas tendências lascivas. Ainda assim, o general instruiu Urias a ir a Jerusalém, para ver o quê Davi tinha para dizer. Quando Urias chega, Davi o recebe na residência real e imediatamente o envolve em conversa militar. Pergunta, "Como está a guerra? E como está indo o seu general? Os soldados estão progredindo?". Urias deve ter se perguntado, "Do que se trata? Sou apenas um soldado da Infantaria. Não fiz nada para merecer esse tipo de atenção". Ou, também poderia desconfiar. Ele poderia ter ouvido algum comentário sobre o caso (apesar de que as escrituras não declaram que o caso era de conhecimento público). A verdade é que Urias estava sendo enganado por Davi. O rei achou que o problema seria resolvido se apenas conseguisse pôr Urias no leito de Bate-Seba uma noite. Então Urias pensaria que ele havia provocado a gravidez da esposa. Davi lhe diz: "Você guerreou uma batalha longa, e deve estar cansado. Vá pra casa e descanse essa noite. Mandarei manjares especiais para você aproveitar". Mas quando Urias saiu, não foi para casa. Pelo contrário, dormiu na casa dos guardas fora do palácio. Quando Davi soube disso no dia seguinte, chamou Urias de volta e perguntou: "Por que você não ficou com sua esposa ontem à noite?". Urias responde: "Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao ar livre; e hei eu de entrar na minha casa, para comer e beber e para me deitar com minha mulher? Tão certo como tu vives e como vive a tua alma, não farei tal cousa" (2 Samuel 11:11). Urias só conseguia pensar em seus companheiros soldados. A sua lealdade deve ter fervido a cabeça de Davi. Agora o pânico do rei cresce. Ele rapidamente ordena que Urias permaneça em Jerusalém mais uma noite. E põe em ação outro plano. Essa noite, ele iria convidar Urias para jantar, enchê-lo de muito vinho e deixá-lo bêbado. Se Urias perdesse a noção das coisas, se esqueceria dos outros soldados e iria querer dormir com a esposa. Dá para você imaginar esse piedoso rei, um pregador da retidão, tentando deixar bêbado um de seus fiéis soldados? Foi exatamente que Davi fez. E o plano funcionou: Urias ficou bêbado. Davi instruiu os guardas do palácio, "Levem esse homem para casa, e o ponham na cama". Mas outra vez, as escrituras dizem, "À tarde, saiu Urias a deitar-se na sua cama, com os servos de seu senhor; porém não desceu a sua casa" (11:13). A essa altura, o pânico de Davi saiu de controle. Ele sabia que tinha de fazer algo drástico. Então escreve uma carta a Joabe, ordenando que colocasse Urias na linha de frente em meio à pior das batalhas. Então, quando o exército inimigo ondulasse à frente, Joabe deveria recuar todas as tropas exceto Urias. Resumindo, Davi queria Urias morto. Davi entrega uma carta selada nas mãos de Urias, com instruções para que fosse dada a Joabe. O leal Urias não sabia, mas o rei tinha acabado de lhe entregar a garantia da própria morte. Quando Joabe leu a carta, entendeu a idéia de Davi. Mas obedeceu a ordem do rei mesmo assim. Enviou Urias numa missão suicida. E, exatamente como Davi tinha planejado, o soldado foi morto em batalha. É difícil conceber que um homem piedoso e justo como Davi pudesse cair num pecado tão terrível. Mesmo hoje, com todas as notícias sobre estupro, violência e morte, a história de Davi se destaca como uma das piores quedas já sofrida por um líder. Por que? Porque aconteceu com um homem de Deus, uma pessoa apaixonada pela justiça. Provavelmente você se lembra do que aconteceu a seguir: Bate-Seba chorou a morte do marido por sete dias, segundo a lei. Aí Davi a trouxe para o palácio, onde se juntou ao seu harém de esposas (ele já tinha cinco). Posteriormente, Bate-Seba deu à luz o filho de Davi. E durante todo um ano após o assassinato, Davi não mostrou nenhum sinal de arrependimento por seus atos. Na verdade, justificou a morte de Urias junto a Joabe, dizendo que Urias tinha morrido devido aos infortúnios da guerra: "A espada devora tanto este como aquele" (11:25). Davi pode ter visto o seu pecado com leviandade, mas Deus não. As escrituras dizem: "Porém isto que Davi fizera foi mal aos olhos do Senhor" (11:27).

Graças a Deus, Davi Tinha um Pastor Que Não Temia o Homem

Natã o profeta era o pastor de Davi. E não tinha medo de expor o pecado do seu rebanho, inclusive o pecado do próprio rei. Vejo Natã como um tipo de pastor piedoso que chora em cima do pecado da sua igreja. Deve ter lhe ferido profundamente que Davi, um homem a quem todo mundo olhava como piedoso e reto, estivesse encobrindo pecado. Natã sabia tudo que Davi havia feito, pois o Espírito Santo lhe havia revelado. O rei supostamente justo tinha quebrado três mandamentos santos: havia cobiçado a mulher de outro homem e a roubado dele; havia cometido adultério com ela; e havia cometido assassinato para esconder tudo. Como Natã fez para cuidar da situação? Como esse pregador da santidade repreendeu uma pessoa que estava encobrindo um pecado terrível? Muitos jovens pastores me têm feito perguntas similares: "Como devo tratar com o pecado na minha igreja? Tantos casais estão se divorciando, e outros estão vivendo em adultério. Sei que tenho a responsabilidade de pregar a santidade de Deus a eles. Mas tampouco quero tirar alguém da igreja". A minha resposta a esses jovens pastores é sempre a mesma: "A igreja ouvirá qualquer coisa que você tenha a dizer, se o disser em meio a lágrimas. A sua mensagem não pode ir alem do entendimento da congregação. Eles têm de saber que o teu coração está partido. Tente levá-los ao arrependimento através da pregação da palavra de Deus. Sim, a palavra dEle é uma espada de dois gumes. Mas você tem de utilizá-la vestindo luvas de veludo". É claro que essa não é a atitude de todos os pastores. Com regularidade recebo cartas de cristãos dizendo, "Você tem de ouvir o Reverendo Fulano de Tal pregar. Ele ataca pesado o pecado". Porém, muitas destas vezes, os tapes dos sermões são apenas tiradas zangadas contra coisas exteriores. Suas mensagens raramente incluem a misericórdia e a graça de Deus. Antes, lançam pesadas cargas sobre as ovelhas, sem nunca levantar um dedo para aliviá-las. Creio que Natã nos fornece um exemplo maravilhoso de como um ministro piedoso mostra o pecado. Ele não tomou de assalto a presença de Davi, com os braços agitando o ar e com voz trovejante. Ele não apontou com alegria um dedo ossudo na cara de Davi gritando: "Você é o culpado!". Não, ele levou a impressionante mensagem de Deus reveladora do pecado com grande sabedoria, poder de persuasão e terna misericórdia. E usou uma parábola para fazê-lo. Natã disse a Davi: "Um pobre homem tinha só uma ovelha. Era o bichinho de estimação da família, e amada como um membro da família. Ela se deitava no colo das pessoas, esperando ser acarinhada. Então o homem a criou e alimentou como faria com um filho. Ora, o pobre homem tinha um vizinho rico possuidor de muitos rebanhos. Um dia, o homem rico estava recebendo uma visita. Na hora do jantar, ele mandou um servo matar uma ovelha. Contudo mandou que o servo não tomasse uma cordeira de seus vastos rebanhos, mas que roubasse a ovelha do vizinho, a matasse, a temperasse e servisse ao visitante". Quando ouviu isso, Davi ficou irado. Disse a Natã: "Esse homem rico deveria morrer!". "Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto. E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal cousa e porque não se compadeceu" (2 Samuel 12:5-6). Nessa hora, Natã deve ter tido lágrimas nos olhos. Tremendo, ele diz a Davi, "Tu és o homem... desprezaste a palavra do Senhor... A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher" (12:7,9). Natã estava dizendo: "Davi, você não entende? O quê estou contando é a tua história. Você tem cinco esposas e mesmo assim roubou a mulher de outro homem. Você não teve pena; o mandou à guerra para ser morto, e assim ter a cordeira dele. Você se tornou adúltero, assassino, um ladrão. Você foi leviano com a palavra de Deus". Natã expôs cada detalhe do pecado de Davi. Mas não o fez com fúria. Antes, simplesmente falou ao rei: "Então, disse Natã a Davi" (12: 7, ênfase minha). Foi nesse momento que Davi foi atingido, e se arrebentou. Quando lemos os escritos de Davi dessa época, vemos o choro de um coração partido: "Os meus ossos estão fracos. Não consigo dormir. Toda noite cubro meu travesseiro com lágrimas". O Espírito Santo perseguia Davi, falando ao seu coração, agindo para que ele se arrependesse. Ele não conseguia fugir da misericordiosa perseguição de Deus.
(...)

Autor: David Wilkerson
17 de janeiro de 2005
Submetido por: ANDREAVSILVA

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